REFLEXÃO/HOMILIA PARA O DÉCIMO SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM, ANO B

CONFIANDO NA SOBERANIA DE DEUS EM MEIO ÀS TEMPESTADES DA VIDA

Primeira Leitura: Jó 38,1,8-11
Salmo Responsorial: Sl 106(107),23-26,28-32
Segunda Leitura: 2 Coríntios 5,14-17
Evangelho: Marcos 4,35-41
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A canção “The Storm Is Over Now” de R. Kelly, lançada em 2000, transmite uma mensagem poderosa de superação da adversidade e encontrar esperança após tempos difíceis. Naquela canção, R. Kelly canta sobre alívio e gratidão pelo fim das dificuldades, enfatizando temas de resistência e renovação. As letras descrevem a emergência de uma fase caótica, simbolizada por uma tempestade, e olham para um futuro mais brilhante. Esta canção, que reflete sua jornada pessoal e serve como um hino inspirador para qualquer pessoa que enfrentou e conquistou desafios significativos, pode servir como ponto de partida para todos nós em meio às tempestades da vida, confiando na onipotência de Deus, pois só Ele tem poder para acalmar qualquer experiência tempestuosa que experimentamos ou experimentaremos, e que sempre há luz no fim do túnel, como refletido nas leituras deste domingo.

Saltando da Primeira Leitura do Livro de Jó (cf. Jó 38,1; 8-11), somos assegurados de que Deus está no comando, mesmo quando as circunstâncias parecem avassaladoras. O Livro de Jó é um dos escritos de sabedoria na Bíblia Hebraica, que lida com questões profundas sobre sofrimento, justiça e a natureza de Deus. Neste livro, vemos Jó, um homem justo, passando por uma experiência tempestuosa imensa e caótica em sua vida e família, o que provoca uma série de diálogos com seus amigos e um encontro culminante com Deus. O livro reflete as limitações da compreensão humana e o mistério dos caminhos de Deus. O texto do Evangelho de hoje descreve Deus respondendo a Jó pela primeira vez do meio da tempestade, ilustrando Sua soberania e controle sobre a criação. Esta passagem ilustra a autoridade suprema de Deus e nos convida a confiar em Sua sabedoria em meio às tempestades da vida. O termo “redemoinho” (סְעָרָה – se’arah) captura a natureza avassaladora e incompreensível do poder de Deus sobre a criação. Enquanto isso, “mar” (יָם – yam) muitas vezes representa forças caóticas na literatura do antigo Oriente Próximo, e o comando de Deus sobre ele significa Seu controle sobre toda a turbulência. Os limites (גְּבוּל – gevul) que Deus define para o mar destacam Sua autoridade em definir e controlar o mundo natural. Assim, somos chamados a confiar em Deus em meio às tempestades da vida, reconhecendo Sua soberania e submetendo-nos à Sua sabedoria divina, porque Ele estabelece limites para o mar, refletindo Sua onipotência e ordem sobre o caos. Apesar de nossa compreensão limitada, a onipotência de Deus garante que Ele estabelece limites para o caos e mantém a ordem. Nosso sofrimento, como a tumulto do mar, está sob Seu comando.

Em consonância, o Salmo Responsorial (cf. Sl 106(107),23-26, 28-32) complementa esta mensagem ao celebrar o amor duradouro de Deus e Seu poder para acalmar as tempestades. O salmo narra como marinheiros, angustiados por uma forte tempestade, clamaram ao Senhor, que acalmou a tempestade e os levou para a segurança. Isso nos lembra que o amor de Deus dura para sempre e que Ele está sempre pronto para nos resgatar de nossa angústia. Seu poder para acalmar os mares tempestuosos testemunha Sua capacidade de trazer paz e ordem às nossas vidas, reforçando a lição de Jó de que podemos confiar na onipotência de Deus e em Seu cuidado por nós em tempos de dificuldade.

A intervenção de Deus em meio às tempestades da vida se concretiza na Leitura do Evangelho segundo Marcos (cf. Marcos 4,35-41). O Evangelho de Marcos é um dos Evangelhos Sinóticos, distinguido por sua narrativa concisa e orientada para a ação que revela mais os milagres e a autoridade de Jesus do que seus ensinamentos. O relato de Marcos é vívido e direto, frequentemente destacando a imediaticidade e a urgência da missão de Jesus. No texto do Evangelho de hoje, Jesus demonstra Sua autoridade divina sobre a natureza. Nesta passagem, o termo “tempestade de vento” (λαῖλαψ – lailaps) significa uma súbita e violenta tempestade, simbolizando caos e perigo. O comando de Jesus ou o uso dos verbos imperativos “Paz! Acalme-se!” (σιώπα, πεφίμωσο – siopa, pephimoso) significa uma ação imediata e imperativa que resulta na cessação da tempestade, demonstrando Seu controle sobre os elementos naturais, assim como a autoridade de Deus sobre o mar e outras forças naturais na Primeira Leitura (cf. Jó 38,1; 8-11). A falta de fé dos discípulos (πίστις – pistis) é repreendida por Jesus, que encoraja a confiança em Seu poder divino, reforçando a lição de que Deus está no controle de todas as situações, independentemente da turbulência que enfrentamos. Esta passagem, como o controle de Deus sobre o mar na situação de Jó, demonstra a soberania divina e a necessidade de fé na onipotência de Deus, assegurando-nos de que Jesus está sempre no controle, mesmo em meio às tempestades da vida. Sua presença e autoridade trazem paz e calma, lembrando-nos de ter fé em Sua onipotência.

À luz de confiar na intervenção de Deus e Seu poder para nos transformar, mesmo na tempestade da vida, São Paulo nos encoraja na Segunda Leitura de sua segunda carta aos Coríntios (cf. 2 Coríntios 5,14-17). O contexto de segunda Coríntios envolve Paulo dirigindo-se à igreja de Corinto para defender sua autoridade apostólica, incentivar a reconciliação e fornecer orientação sobre a vida cristã. Foi escrito por volta dos anos 55-57 d.C., provavelmente da Macedônia. A mensagem geral de segunda Coríntios foca nos temas de reconciliação, a natureza do ministério apostólico, a nova aliança em Cristo e o poder de Deus manifestado na fraqueza humana. No texto de hoje, Paulo diz: “Pois o amor de Cristo nos pressiona, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. E Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e foi ressuscitado…” O termo grego “συνέχει” (synechei) do verbo “συνέχω” (synecho), que significa “manter unido,” “constranger,” “compelir” ou “pressionar” (como usado no texto de hoje) está na forma indicativa presente ativa do terceiro singular, que descreve uma ação contínua realizada por um sujeito singular. Isso indica que o amor de Cristo continuamente pressiona ou urge (atua sobre) os crentes. A forma singular é usada aqui para enfatizar a força singular e poderosa do amor de Cristo exercendo influência sobre eles, indicando uma ação contínua. O verbo implica uma forte influência ou controle sobre alguém ou algo. Isso explica por que Paulo afirma ainda: “Portanto, se alguém está em Cristo, é uma nova criação. O mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo.” O termo “καινὴ κτίσις” (kainē ktisis) para “nova criação” ilustra a renovação e mudança completas que passamos através de Cristo. Assim como Jesus acalma a tempestade na leitura do evangelho de hoje, Seu poderoso amor e autoridade em nossas vidas trazem paz, renovação e nova vida a todos os que acreditam.

Queridos amigos em Cristo, o acalmar da tempestade e a declaração de uma nova criação em Cristo nos asseguram de Seu controle sobre todas as situações, encorajando-nos a confiar em Seu poder e abraçar a nova vida que Ele oferece. Continuemos a ter fé na autoridade de Jesus e a reconhecer que nEle, “o velho se foi, eis que o novo chegou,” e que “após a tempestade vem o sol.” Essa renovação através de Cristo nos capacita a viver vidas transformadas, confiantes em Sua presença e soberania em meio a qualquer tempestade. A mensagem é clara: não importa quão forte seja a tempestade, o amor e a onipotência de Deus nos guiarão, levando-nos a um lugar de calma e transformação.

Shalom!
© Pe. Chinaka Justin Mbaeri, OSJ
Seminário Padre Pedro Magnone, São Paulo, Brasil
nozickcjoe@gmail.com / fadacjay@gmail.com

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Chinaka Justin Mbaeri

A staunch Roman Catholic and an Apologist of the Christian faith. More about him here.

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